Serviços O conteúdo desse portal pode ser acessível em Libras usando o VLibras

Zika e Chikungunya: associações com a microcefalia

Radar Cidacs em 14 de setembro de 2018

É de notório saber que os arbovírus disseminados pelo Aedes aegypti representam um sério problema de saúde pública. Para melhor abordar este problema, diversos estudo vem sendo realizados. Um destes estudos é o impacto da coinfecção na geração de consequências pós-infecciosas. Não é novidade, por exemplo, que o Zika Vírus pode causar microcefalia em neonatos. Entretanto, pouco se sabe sobre os efeitos de causalidade entre a infecção e o adoecimento em si. Utilizando dados espaciais, socioeconômicos e sorológicos coletados em diversas regiões do país, é possível isolar acometimentos resultantes de coinfecção dos que são apenas de Zika Vírus.

No artigo “Zika might not be acting alone: Using en ecological study approach to investigate potential co-acting risk factors for na unusual pattern of microcephaly in Brazil” os autores foram capazes de coletar tais dados e realizar um compilado, comparando a frequência de infecção por cada um dos arbovírus circulantes (Dengue, Zika e Chikungunya). Levando ainda em consideração a distribuição de água potável, IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e outros fatores socioeconômicos, além de fatores climáticos, que contribuem significativamente para a dispersão do vetor.

Os autores foram capazes de corroborar de forma concreta com a hipótese de que não apenas a infecção por Zika está associada à microcefalia, mas sim uma coinfecção de dois arbovírus. Baseados nos dados epidemiológicos de frequência apresentados pelos relatórios emitidos por instâncias estaduais, foi possível ainda inferir que a coinfecção supostamente causadora do acometimento por microcefalia estaria associada à infecção simultânea por Chikungunya. Este fato reafirma a crescente necessidade de estudos filogenômicos destes agentes etiológicos (causadores da doença), a fim de identificar padrões diagnósticos e possibilitar identificação de fármacos e tratamentos adequados. Este tipo de trabalho mostra ainda as vantagens de uma coleta e armazenamento organizado de dados epidemiológicos, sorológicos e genômicos acerca dos agentes etiológicos que vem sendo realizado pelos órgãos competentes.

*Irahe Kasprzykowski possui graduação em Sistemas de Informação e mestrado em Computação Aplicada pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2015). Atualmente é professor da Faculdade de Tecnologia e Ciências da Bahia e está com doutorado em andamento em Biotecnologia e Medicina Investigativa, sob a orientação do pesquisador do Cidacs Artur Trancoso Lopo de Queiroz.

Pesquisador(es): Irahe Kasprzykowski.

NewsletterNovidades Cidacs