Coorte de 100 Milhões de Brasileiros
Vigência: Início 01/03/2017
Status: Em Andamento
Coordenação: Mauricio Barreto.
Equipe: Manoel Barral Netto, Laura Rodrigues, Marcos Ennes Barreto, Gerson Penna, Liam Smeeth, Maria Yury Ichihara, Roberto Carreiro, Cristiana Almeida, Robespierre Dantas da Rocha Pita, Samila Sena, Carlos Antonio de Souza Teles Santos, Raíza Tourinho Lima, Daiane Machado, Poliana Rebouças, George Barbosa, Valentina Martufi.
Financiamento: Wellcome Trust
Instituições envolvidas: Fiocruz, UFBA, London School of Hygiene and Tropical Medicine
Um Centro de Dados, moderno e funcional, com informações integradas e anonimizadas de 100 milhões de brasileiros, à disposição para gerar diversas pesquisas científicas e servir de base para criação de políticas públicas. Esta é uma breve descrição deste projeto, que é baseado na coorte 100m de brasileiros, construída a partir do “CADASTRO-UNICO”, que contém registros eletrônicos de mais de 100 milhões de indivíduos candidatos a programas de proteção social no Brasil.
Os registros obtidos consistem em informações individuais, detalhadas sobre as condições de habitação, educação e renda, organizadas por domicílio e por indivíduos. A proposta é vincular os registros sociais e de benefícios aos registros eletrônicos de saúde, a exemplo de nascimentos, óbitos, hospitalizações, notificação de doenças infecciosas e outros. O tamanho dessa população possibilitará pesquisas sobre as inter-relações entre fatores sociais e o impacto das políticas de proteção social numa vasta gama de desfechos na saúde, em um grau de detalhes nunca feito anteriormente.
Nossa proposta é vincular os registros sociais e de benefícios aos registros eletrônicos de saúde, a exemplo de nascimentos, óbitos, hospitalizações, notificação de doenças infecciosas e outros. O tamanho dessa população possibilitará pesquisas sobre as inter-relações entre fatores sociais e o impacto das políticas de proteção social numa vasta gama de desfechos na saúde em um grau de detalhes nunca feito anteriormente.
Para a criação da coorte de 100m de brasileiros, o projeto tomou como base os programas sociais em curso, com destaque para o programa Bolsa Família, o mais emblemático quando o assunto é proteção social brasileira, pois é o maior programa de transferência condicional de renda (TCR) do mundo e sua cobertura se expandiu e se consolidou nos últimos 12 anos, alcançando todos os 5570 municípios brasileiros, somando o registro de 13 milhões de famílias. Com orçamento superior a 11 bilhões de dólares, o Programa destina-se a grupos familiares pobres e extremamente pobres, e tem sido relacionado ao impacto positivo nessas populações beneficiárias, com destaque para a aquisição de alimentos, a melhoria no estado nutricional e nos resultados de saúde, como a diminuição da incidência de hanseníase e tuberculose.
Um estudo realizado por pesquisadores do Cidacs mostrou que onde havia alta cobertura municipal do BF, houve diminuição significativa da mortalidade em menores de 5 anos, por meio de complicações relacionadas à pobreza, como desnutrição e diarreia. A alta cobertura municipal de BF também pareceu reduzir substancialmente as taxas municipais de admissão hospitalar de menores de 5 anos pelas mesmas causas, assim como aumentar a cobertura de vacinação e visitas pré-natais nos municípios.
Objetivos
O projeto busca reestruturar o centro de dados que é desenvolvido como um recurso biomédico, de forma que seja um centro de dados moderno, totalmente funcional e com a utilização de dados longitudinais. Mais de 100 milhões de pessoas estão cadastradas, com imenso potencial de pesquisa e interface pública, para permitir o uso extensivo de pesquisadores e gestores de políticas públicas do Brasil e do mundo. Para isso, é necessário expandir o cluster de computação atual, as instalações físicas e desenvolver novos procedimentos operacionais padrão. Também torna-se necessário atualizar os dados atuais e incluir novos dados vinculados, bem como desenvolver algoritmos validados, para identificar resultados de saúde e exposições-chave. São também necessários novos processos de governança para gerir as relações entre a gestão de dados, os gestores de políticas e pesquisadores de saúde.