Vigência: Início 16/12/2022
Status: Em Andamento
Coordenação: Carlos Antonio de Souza Teles Santos.
Pesquisador(a) Responsável: Rita de Cássia Ribeiro Silva.
Equipe: Mauricio Barreto, Carlos Antonio de Souza Teles Santos, Maria Yury Ichihara, Gilberto Kac, Jorge Gustavo Velásquez Meléndez, Marcia F. de Almeida, Rosemeire Leovigildo Fiaccone, Juliana Freitas de Mello e Silva, Enny Paixão, Thaís Rangel Bousquet Carrilho, Elizabete de Jesus Pinto, Natanael de Jesus.
Financiamento: DECIT/MS
O estado nutricional materno antes, durante e após a gravidez adverso tem sido associado ao risco de desfechos adversos para o bebê e para a mãe. Sobrepeso pré-gestacional, ganho de peso gestacional (GPG) excessivo e aumento de peso entre gestações estão associados a desfechos adversos como o nascimento de neonatos (criança recém-nascida até o primeiro mês de vida) grandes para idade gestacional (GIG), mortalidade neonatal, diabetes gestacional, distúrbios hipertensivos e mortalidade materna, e obesidade infantil e materna em longo prazo. O aumento da prevalência de tais indicadores entre mulheres em idade reprodutiva em países de baixa e média renda pode elevar o risco de tais desfechos. No Brasil, mais de 60% das mulheres adultas apresentam sobrepeso. Desta forma, a associação entre estado nutricional materno e resultados adversos, principalmente em médio e longo prazo, precisa ser explorada.
A associação entre o GPG e desfechos adversos em gestações subsequentes também parece ser relevante. No entanto, poucos estudos exploram essa relação devido à necessidade de acompanhamento da mulher em longo prazo. Estudos mostram que o aumento do índice de massa corporal (IMC) durante a gravidez pode aumentar o risco de desfechos como diabetes gestacional, distúrbios hipertensivos, parto cesáreo e tromboembolismo (doença em que uma ou mais artérias pulmonares ficam bloqueadas por um coágulo sanguíneo) na gravidez subsequente. A redução de tal índice pode aumentar o risco de nascimento de neonatos pequenos para idade gestacional (PIG). No entanto, pouco se sabe sobre a associação entre IMC pré-gestacional, GPG, retenção de peso pós-parto, alterações de IMC entre gestações e resultados adversos, como mortalidade materna e infantil, as trajetórias de peso materno e crescimento infantil e obesidade infantil, sobretudo em países em desenvolvimento como o Brasil, e em populações socioeconomicamente vulneráveis.
A gravidez é uma janela de desenvolvimento crítico na qual a nutrição e a saúde materna ideais são fundamentais para a gravidez e o desenvolvimento infantil. A medida que a pandemia de Covid-19 continuou a se espalhar globalmente, um número crescente de mulheres grávidas foi infectada, aumentando a preocupação não apenas com sua saúde, mas também com a saúde de seus bebês. De acordo com estudos recentes, as mulheres grávidas positivas para Covid-19 têm um risco maior de aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, parto prematuro e cesariana. Além disso, restrição do crescimento fetal. As trajetórias de crescimento infantil não foram exploradas. Taxa ou incidência da doença e morte (morbidade e mortalidade) graves foram relatadas principalmente entre gestantes no segundo e terceiro trimestres de gestação. Entretanto, o impacto da Covid-19 nos resultados da gravidez ainda é pouco compreendido. Portanto estudos mais robustos são necessários para elucidar melhor o papel do SARS-CoV-2 durante a gravidez nos desfechos adversos ao nascer e nutrição.
O projeto do programa de investigação tem como objetivo principal investigar sobre estado nutricional materno e Covid-19 em desfechos maternos, neonatais e nas trajetórias de crescimento infantil usando a Coorte de 100 Milhões de Brasileiros. Já os objetivos específicos do plano de trabalho são:
1. Descrever as trajetórias de peso corporal materno ao longo da vida (adolescência, idade adulta, gestação e pós-parto);
2. Descrever as trajetórias de peso, altura índice de massa corporal (IMC) da criança desde o nascimento até os cinco anos de idade;
3. Estimar o efeito do IMC pré-gestacional, ganho de peso gestacional, e trajetórias de peso materno em desfechos maternos e neonatais adversos e nas trajetórias de crescimento infantil;
4. Estimar o efeito do IMC pré-gestacional, ganho de peso gestacional e alterações de peso e IMC materno sobre os desfechos maternos e neonatais adversos na gravidez subsequente.
5. Estimar o efeito do novo coronavírus SARS-CoV-2 na gestação nos desfechos neonatais adversos e trajetórias de crescimento infantil.
A utilização de dados dos sistemas administrativos nacionais tem aumentado nos últimos anos. A utilização desses dados para fins de pesquisa recentemente recebeu atenção com o aprimoramento dos métodos de análise de grande bancos de dados (“big data”), da infraestrutura para armazenamento segura destes dados e com o aumento da capacidade computacional. Usar os dados coletados na rotina dos serviços de saúde pode ser útil para monitorar tendências nos indicadores de saúde e embasar políticas públicas. Esses dados são críticos em países de baixa e média renda, onde o investimento em pesquisa é geralmente escasso. Desde 1975, diversos sistemas de informação foram criados no Brasil. No entanto, pouco tem sido feito para aproveitar seus recursos, especialmente na área de nutrição materno-infantil. Grandes bancos de dados administrativos podem possibilitar o estudo de diversos problemas de saúde e nutrição materno-infantil que só foram investigados em estudos com amostras pequenas ou ainda não foram explorados. Desta forma, esta proposta representa um estudo inédito em uma população brasileira, e difere dos estudos atualmente disponíveis realizados em pequenas coortes e com representação geográfica restrita. Esta é a primeira iniciativa a usar uma base populacional, integrando dados administrativos e de registro de saúde, para estudar a saúde e nutrição materno-infantil no Brasil.