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Pesquisa traz inovação sobre perfil da infecção por Zika

Bioinformática em 30 de Maio de 2018

Imagine que a organização dos genes de um mosquito possa ser ilustrada por meio de blocos coloridos. A repetição da ordem, tamanho e cor de cada peça vai determinar um padrão, na genética é mais ou menos assim que se revela um padrão de expressão gênica. Após fazer o reconhecimento desse padrão em mosquitos infectados pelos vírus da Dengue, Febre Amarela e Febre do Nilo, pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz) conseguiram encontrar tal repetição nos mosquitos infectados pelo vírus da Zika, avançando a pesquisa e conhecimento sobre o Aedes aegypti.

Esse achado científico está na revista Memória do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), de junho. A evidência pode ajudar na elaboração de novas formas de controle vetorial e a produção de testes rápidos para detectar os mosquitos infectados. O estudo foi feito pelos pesquisadores Eduardo Fukutani, Moreno Rodrigues, José Irahe Kasprzykowski, Cintia Araújo, Alexandre Paschoal, Pablo Ivan Ramos, Kiyoshi Fukutani e Artur Queiroz, que realizaram pesquisa usando bancos de dados da Sequence Read Archive (SRA), do National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine (NCBI/bIOProject).

Essa pesquisa se dá um contexto em que o mosquito Aedes aegypti é o principal vetor de transmissão de doenças espalhados no mundo, e em que a dengue afeta mais de 2.5 bilhões de pessoas no mundo e a febre amarela reemergiu nos centros urbanos, essa pesquisa é mais um passo para compreender o perfil de infecção do vírus da Zika – um vírus antes presente na África e agora também espalhado no mundo.

Neste segundo passo da pesquisa, usaram o mesmo conjunto de genes anteriores para identificar infecções por Zika Vírus em mosquito. Para isso foram utilizados dados abertos e diversas ferramentas estatísticas que estabelecem a probabilidade do mosquito estar infectado. Por meio de diferentes análises, encontram-se as regularidades, aquilo que há de semelhante entre as expressões gênicas após a infecção, e é então que se chega ao padrão de expressão gênica – a organização dos blocos.
No estudo anterior, a equipe reduziu o número de genes correlacionados especificamente com a Dengue, Febre Amarela e Febre do Nilo, todas transmitidas pelo Aedes. Em continuidade a tal estudo, foi utilizado o mesmo framework (conjunto dos 110 genes com alta correlação e quatro posteriormente identificados) para aplicar dessa vez, em mosquitos infectados pelo Zika. Espera-se que, futuramente, esses estudos ajudem a neutralizar a infeção viral dos mosquitos que transmitem o Zika, comenta o bioinformata, Artur Queiroz.

Questionado se esta pesquisa ajudará na produção de vacina da Zika Vírus, o pesquisador disse: “Minha ideia é que o vírus seja neutralizado antes de chegar ao ser humano. Nosso limite foi alcançado. Agora, temos conhecimento que mostra que um conjunto de genes específicos são encontrados em mosquitos infectados e isso que pode servir de para diversas pesquisas (inclusive pesquisas clínicas)”.

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