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Mulheres expostas ao racismo têm maior chance de sofrer Transtornos Mentais Comuns, aponta estudo

Pesquisa Escrito por Fiocruz Bahia  em 3 de Abril de 2018
A saúde mental de mulheres brasileiras pode ser prejudicada quando sofre preconceito por causa da cor da pele, tanto na dimensão pessoal, quanto em grupo, aumentando em até 70% a chance de sofrer Transtornos Mentais Comuns (TMC). Essa foi a conclusão de um estudo realizado pelo pesquisador e coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, Maurício Barreto, em conjunto com pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto de Humanidades Artes e Ciências Professor Milton Santos, ambos da Universidade Federal da Bahia (ISC/IHAC/UFBA).

A pesquisa foi descrita no artigo Personal-Level and Group-Level Discrimination and Mental Health: the Role of Skin ColorJournal of Racial and Ethnic Health Disparities, publicado no Journal of Racial And Ethnic Health Disparities. O estudo contou com a participação de 1130 mulheres inscritas originalmente em um programa de pesquisa denominado Mudanças Sociais, Asma e Alergia na América Latina (SCAALA), criado em 2004, que tem como objetivo estudar os fatores associados ao surgimento e persistência dos sintomas de asma e marcadores de alergia na população Latino-Americana.

No trabalho de campo, foram utilizados os instrumentos “Experiences of Discrimination” (EOD) e SRQ-20 para identificar os denominados transtornos mentais comuns. Ambos os instrumentos têm sido validados para a língua portuguesa, no Brasil. Os resultados do questionário mostram que, de 38,3% das mulheres que afirmaram ter sintomas de TMC, 8,5% disseram sofrer alto nível de preconceito e 41,6% demonstraram ter preocupações sobre discriminação. As mulheres que tiveram maior nível de TMCs, tiveram maior exposição a experiências de racismo. Também evidenciou-se que a relação entre TMCs e exposição ao racismo é mais concentrada em mulheres que se declararam de cor parda, seguidas pelas de cor negra e, por fim, do tom branco.

Segundo a pesquisa, esses resultados são importantes pelo fato de explicar o porquê que os futuros estudos sobre TMC em saúde pública deverão, também, considerar preconceito em nível de grupo tanto quanto em nível individual, além da cor da pele.

Clique aqui e acesse o artigo publicado em dezembro de 2017.

Pesquisador(es): Mauricio Lima Barreto, Leila Amorim.

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