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“Mesmo que o Bolsa Família acabe, vamos estudar por anos ainda”, diz pesquisador da Fiocruz

Café científico em 31 de outubro de 2018

Passado o recente momento eleitoral do Brasil e, em meio ao processo de transição que deixa muitas questões no ar, a penúltima edição do Café Científico do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), no dia 30 de outubro, tratou das pesquisas sobre políticas sociais e seus efeitos na saúde das populações e algo ficou como certeza: “Mesmo que o Bolsa Família não exista em janeiro, o experimento social foi feito e nós vamos estudar durante muitos anos ainda”, declarou o coordenador do Cidacs, Mauricio Barreto.

“Se continuar existindo teremos mais informações, mais tempo de observação. Mas se deixar de existir poderemos ver como esse pequeno implemento de renda na vida dessas pessoas altera a situação de saúde delas. Nós temos muitas informações para isso já”, comentou o médico epidemiologista se referindo aos dados dos beneficiários inseridos no Cadastro Único, que possui no total informações de 114 milhões de indivíduos. O Cidacs tem acesso a esses dados para fins de pesquisa científica da Plataforma Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, a principal frente de trabalho do Cidacs e tema central dessa edição do Café Científico.

Estudos como efeitos do Bolsa Família na mortalidade de menores de 5 anos, no suicídio e homicídio e na Hanseníase são alguns dos projetos que estão sendo executados na Coorte e já apontam efeitos de proteção por parte dos programas nesses desfechos de saúde. A Coorte possui 20 projetos para a avaliação das políticas sociais em desfechos de saúde já consagrados pela ciência como associados com a condição social da pobreza e mais da metade dos 90 colaboradores do Cidacs estão inseridas nas pesquisas da plataforma.

Determinação social

Para iniciar a conversa, Barreto evidenciou os estudos sobre determinações sociais, apontando que as correlações entre saúde e fatores como habitação, moradia, acesso à água tratada, alimentação, entre outros, é algo que vem sendo considerado na literatura médica desde o século XIX. Passados dois séculos, essas determinações podem ser observadas por elaborações de variáveis e dados captados pela administração pública e é esse o legado das políticas sociais tais como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Tarifa Social de Energia Elétrica, Programa Cisternas e mais 19 ações cadastradas no Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Barreto lembrou que quando se formou, nos anos 1970, diante do menor desenvolvimento tecnocientífico da própria medicina e da sociedade em geral, as iniquidades em saúde eram muito mais visíveis, enquanto que as políticas sociais mais recentes mostram uma redução “importante” nos problemas de saúde das populações mais pobres. “Não estou dizendo que seja o ideal. Outros problemas podem, inclusive, terem surgido nesse período, mas é preciso considerar que houve melhoria”, pontuou.

O Café Científico Cidacs é uma roda de conversa mensal, realizado na última terça-feira de cada mês, às 16h, no Parque Tecnológico, em Salvador.

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