O ÍNDICE

O que é o Índice Brasileiro de Privação?

É uma medida que informa níveis de privação material ou, de um modo mais geral, níveis de posição socioeconômica, em diferentes áreas geográficas do Brasil: setores censitários, municípios, estados, macrorregiões e Brasil como um todo.

O IBP foi calculado utilizando informações de renda, escolaridade e condições do domicílio. Com o IBP, é possível monitorar e avaliar as condições de privação sobre a saúde da população.

O IBP foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Universidade de Glasgow-Escócia, dentro do projeto Social Policy & Health Inequalities (SPHI), financiado pela agência de fomento do Reino Unido National Institute for the Health Research (NIHR).

Um dos principais produtos desenvolvidos pela equipe do IBP foi um painel para visualizar e comparar o IBP em diferentes áreas geográficas do Brasil. Você pode acessar esta ferramenta na aba Painel no menu do nosso site

Qual a importância do IBP?

Desigualdades sociais e em saúde até então eram analisadas em áreas geográficas amplas como municípios, estados e macrorregiões. Uma importante contribuição do IBP é tornar possível analisar desigualdades sociais e em saúde em pequenas áreas como setores censitários, ou seja, em nível intramunicipal.

Ao oferecer um nível tão particular de visualização de áreas de maior e menor privação, o IBP apoia gestores, servidores, profissionais da saúde e pesquisadores na tomada de decisões relativa ao planejamento e avaliação de políticas públicas, nos âmbitos da saúde, da educação, da habitação, saneamento básico, entre outras.

Metodologia do IBP
O IBP foi calculado estatisticamente a partir dos indicadores de renda, escolaridade e condições do domicílio da população de cada território, coletados no Censo 2010 do IBGE. Os parâmetros utilizados são:

Composição do índice

 

A soma dos indicadores foi realizada a partir do cálculo do z-score: o “z” para uma variável “x” foi calculado usando a fórmula z = (x − µ)/sd, onde a média “µ” e o desvio-padrão “sd” para cada indicador do setor censitário foram ponderados de acordo com a população. O valor final do z-score de cada setor censitário foi dado pela soma simples do z-score dos indicadores de renda, escolaridade e condições de domicílio.

A soma dos z-scores é um dos métodos mais simples para combinar variáveis e calcular escores padronizados e continua sendo bastante utilizado na construção de índices de privação. Esse método de padronização permite colocar variáveis com diferentes medidas numa mesma escala, possibilitando construir um indicador síntese para um conjunto de domínios. Apesar da escolha por esse método, foram testados outros métodos, como a análise fatorial, médias geométricas e aritméticas.

Limitações

O IBP é uma ferramenta que engloba algumas dimensões de privação, mas não todas. Enquanto esta medida inclui renda, escolaridade e condições de domicílio nos seus domínios, outros indicadores de privação construídos em países como a Nova Zelândia, incluem informações sobre emprego, criminalidade, saúde, educação e acesso à serviços públicos. Além disso, o IBP conta apenas com uma medida no tempo, que é o ano 2010, o que dificulta comparações ao longo do tempo. Destaca-se ainda que o IBP não considera os diferentes grupos populacionais e étnicos (exemplo, indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas) e existem alguns vieses inerentes à captura da privação em áreas rurais. Isso limita as suas inferências sobre esses grupos específicos.

Financiamento
O IBP é um dos resultados do projeto Social Policy & Health Inequalities (SPHI), realizado em parceria entre o Cidacs e a Medical Research Council/Chief Scientist Office Social and Public Health Sciences Unit (MRC/CSO SPHSU) da Universidade de Glasgow, na Escócia. O projeto é financiado pelo National Institute for the Health Research (NIHR).