O PROJETO

Este projeto “Mudanças climáticas e Desigualdades na Nutrição infantil” quer entender como a temperatura ambiente e as ondas de calor afetam o estado nutricional e as práticas de alimentação das crianças no Brasil. Também mostra se esses efeitos mudam conforme o índice brasileiro de privação [IBP], a cor/etnia das mães e o acesso a políticas de apoio social. A intenção é auxiliar a implementação de políticas mais justas para proteger a saúde das crianças.

Este foi o primeiro estudo a investigar a associação entre temperaturas ambientes extremas e nutrição infantil, com dados de mais de 6 milhões de crianças vinculados à Coorte de 100 Milhões de Brasileiros. Além disso, o estudo examina esses efeitos por subgrupos de vulnerabilidade social e econômica, fornecendo insights sobre como a desigualdade social modera os efeitos das temperaturas extremas na nutrição infantil.

Associação entre temperatura e estado nutricional
CATEGORIAS
OR
95% CI
Análise de ajuste
1.08
[1.080; 1.080]
Região geográfica
Norte
1.21
[1.190; 1.220]
Nordeste
1.10
[1.100; 1.100]
Centro-oeste
0.95
[0.940; 0.960]
Sudeste
1.00
[0.990; 1.000]
Sul
0.94
[0.930; 0.940]
Região geográfica
Área rural
1.12
[1.120; 1.120]
Área urbana
1.06
[1.060; 1.060]
Raça materna/etnia
Mães pardas
1.08
[1.080; 1.080]
Mães pretas
1.08
[1.070; 1.090]
Mães indígenas
1.04
[1.030; 1.050]
Mães brancas
1.05
[1.050; 1.050]
Índice Brasileiro de Privação (IBP)
IBP baixo
1.00
[1.000; 1.010]
IBP médio
1.03
[1.020; 1.030]
IBP alto
1.11
[1.100; 1.110]

NOSSOS RESULTADOS

Verificamos que o aumento da temperatura ambiente foi associado a um maior risco de desnutrição crônica, principalmente entre crianças moradoras do Norte e Nordeste, de áreas rurais, de municípios com maior nível de privação, e entre aquelas cujas mães se identificam como pretas. Resultado que é mostrado na “tabela de associação entre temperatura e déficit de crescimento infantil, estratificada por grupos de vulnerabilidade. Brasil, 2007-2017”.

MECANISMOS

MARCOS TEMPORAIS

2015

COP 21 Paris: No evento mundial houve a interconexão entre clima e alimentação, ao priorizar a segurança alimentar e erradicação da fome, a resiliência dos sistemas de produção de alimentos e promoção de consumo e produção sustentáveis. O Acordo de Paris reconhece a interconexão entre o clima e a alimentação, priorizando a erradicação da fome enquanto se busca a neutralidade de carbono.

2020

Relatório Global de Nutrição: Este documento evidenciou a obesidade, desnutrição e mudanças climáticas. O relatório alertou para a urgência de transformar sistemas alimentares para torná-los mais sustentáveis, resilientes e equitativos. Ficou claro que os sistemas contribuem significativamente (21-37%) para as emissões de gases de efeito estufa (GEE), tornando a transformação para práticas agrícolas mais sustentáveis uma prioridade.

2025

COP 30: Destacou o papel estratégico do setor na promoção da segurança alimentar, da resiliência dos territórios rurais e da transição ecológica justa. Os principais objetivos foram elaborar propostas de políticas públicas para influenciar as negociações da COP30 e articular com a Agenda de Ação Brasileira; ampliar a inclusão da agricultura familiar nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e em outras políticas climáticas.

2025

Marco de Referência de Sistemas Alimentares e Clima para as Políticas Públicas: Contribuir para a orientação, convergência e integração de políticas e ações entre os diferentes níveis e setores públicos para impulsionar a transição rumo a sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis diante da mudança do clima, promovendo a Justiça Climática, o Direito Humano à Alimentação Adequada e a Segurança Alimentar e Nutricional.

WEB HISTÓRIAS

Na COP 30, em Belém, o GNUT participou ativamente da construção da agenda sobre nutrição, clima e saúde, na qual defendeu a inclusão dos indicadores de desigualdade. Sem esquecer da necessidade de mobilização social, já que os resultados dos estudos influenciam na tomada de decisão política.

O GNUT é guiado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), construídos sobre as bases dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O principal é o ODS 2: Fome Zero e Agricultura Sustentável, que visa acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.

ACESSE OS ARTIGOS

Ambient temperature and child nutritional status of more than 6 million children in Brazil: a cohort study


Ano de publicação: 2026

Autoria: Rita de Cássia Ribeiro Silva, Lisianne Passos Luz, Laís Silva Sacramento, Lais Helena Leandro Ribeiro, Julia Pescarini, Priscila Ribas de Farias Costa, Enny Paixão, Maurício Barreto

DOI: https://doi.org/10.1016/j.lanplh.2026.101428

Extreme Weather Events and Food Insecurity: Systematic Review and Meta-analysis Protocol


Ano de publicação: 2025

Autoria: Priscila Ribas de Farias Costa, Rita de Cássia Ribeiro Silva, Aline dos Santos Rocha, Maurício Barreto

DOI: https://doi.org/10.12688/wellcomeopenres.25466.1