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Encontro Científico evidencia multidisciplinaridade do Cidacs

Pesquisa em 16 de Maio de 2018

O “1º Encontro Científico Cidacs” realizado nesta terça-feira, 15 de maio, reuniu todos doutorandos e pós-doutorandos vinculados ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz) para apresentarem seus trabalhos científicos e trocarem experiências.

Durante o evento, que ocorreu das 9h30 às 18h, os pesquisadores de diversas áreas do conhecimento discutiram os métodos testados e os desafios para encontrar evidências sólidas utilizando formas inovadoras de produção científica realizadas no centro, como a utilização de dados administrativos individuais e técnicas de Aprendizado de Máquina (Machine Learning). “Esse momento traz grandes desafios epistemológicos”, afirmou o pesquisador sênior da Fiocruz Mauricio Barreto.

Coordenador do Cidacs, Barreto abriu o evento com um apanhado da trajetória do Centro desde a fundação, dezembro de 2016. O pesquisador lembrou o caráter multidisciplinar das pesquisas em saúde pública, que também se apresenta na constituição do corpo científico do Cidacs, e o importante papel da Universidade Federal da Bahia (Ufba) nessa construção. “Além de Saúde Coletiva e Computação, temos gente da Física, Nutrição, Psicologia, Economia, Administração, de diversas áreas. O desafio é saber que nunca se sabe o suficiente e que precisamos de apoio sempre”, ressatou.

A respeito dos diferentes caminhos metodológicos do processo de pesquisa, Barreto enfatizou que cabe ao pesquisador fazer as devidas inferências, amparado em sua bagagem intelecutual para além dos mecanismos e recursos tecnológicos computacionais e estatísticos. “No fim, é um processo mental”, explicou. Para ele, as metodologias novas e as consolidadas não precisam ser conflitantes, mas complementares, especialmente diante do contexto de inovação na pesquisa em saúde. “O Cidacs não deve ser um simples centro de pesquisas. Queremos criar um modelo que outros possam seguir”, afirmou.

Análises

As apresentações das pesquisas iniciaram com os estudos em andamento dos pesquisadores em pós-doutoramento no Centro. A psicóloga Daiane Machado, que recentemente concluiu sua tese de doutorado na “London School of Tropical Medicine”, foi a primeira a apresentar. No Cidacs, ela estuda o impacto do Programa Bolsa Família (PBF) na proteção ao suicídio e homicídio. Em seguida, a epidemiologista Dandara Ramos, também psicóloga de formação,  mostrou os primeiros resultados de sua pesquisa sobre o impacto do programa na mortalidade de crianças menores de cinco anos.

O evento também contou com apresentações via webconferência, uma vez que quatro pesquisadores do Centro estão em Londres (Reino Unido). Foi nessa modalidade que se apresentou Julia Pescarini, farmacêutica de formação. Ela explicou os resultados parciais da pesquisa que avalia o impacto do Bolsa Família nos casos de hanseníase. As doutorandas Flávia Jôse, psicóloga, e Camila Teixeira, nutricionista, também fizeram suas apresentações à distância. Enquanto Flávia está avaliando impacto do Bolsa Família na mortalidade materna, Camila se preocupa em compreender o aparecimento de hanseníase nos beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida. O impacto do programa habitacional também é o foco do veterinário Mauro Sanchez, que apresentou ainda na manhã o seu estudo sobre a incidência e a prevalência de Tuberculose entre os beneficiários.

Para encerrar a apresentações dos pós-docs da Plataforma Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, a estatística Nívea Bispo apresentou o andamento de sua pesquisa sobre a produção de coortes sintéticas. Iniciativa inovadora, as coortes sintéticas são produzidas por espelhamento de coortes reais e podem ajudar o pesquisador conhecer a base de dados antes da disponibilização completa dos dados anonimizados.

As apresentações continuaram com o pós-doutorando Moreno Rodrigues, biólogo e integrante da Plataforma Zika, que apresentou como foi feita a estruturação da coorte de nascimentos SIM-Sinasc. Logo depois, Rafael Veiga, doutor em modelagem computacional, mostrou o desenvolvimento da sua pesquisa “Estudo de varredura gênica para detecção de regiões associadas com a produção de IL-10 sob estimulo de antígenos”, na plataforma “Epidemiologia Genética de Coortes Brasileiras (Epigen)”.

Plea tarde, foi a vez dos doutorandos mostrarem o desenvolvimento de sua trajetória. Visando o Determinantes Sociais da Saúde, o impacto do Programa Bolsa Família na infância está sendo pesquisado pela sanitarista Poliana Rebouças, doutoranda em saúde pública, cujo trabalho deve definir a mortalidade na infância em contextos de pobreza, e pela doutoranda em nutrição Ila Falcão, que estuda as consequências do programa no baixo peso ao nascer.

Já a avaliação de impacto do Programa Minha Casa Minha Vida está sendo estudado nas teses de Andrêa Ferreira, que analisa a mortalidade por Infarto Agudo do miocárdio, e da nutricionista Aline Rocha, recém incorporada à Plataforma, que investiga a relação entre o programa habitacional e a prematuridade. Por fim, o membro das plataformas Epigen e Bioinformática, Jose Irahe Kasprzykowski, apresentou a tese “SAGA: Arboviral Genomic Analysis System”, em conclusão no Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), sobre a descrição genômica dos vírus da Dengue, Zika, Chikugunya e Febre do Nilo.

Para encerrar o Encontro, a coordenadora de comunicação do Cidacs, Raíza Tourinho, apresentou a palestra “Somos todos comunicadores: o papel do pesquisador na divulgação científica”, sobre a importância dos jovens pesquisadores do Centro compartilhar o conhecimento acumulado por eles com a sociedade.

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