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Dieta pode modificar tendência genética à obesidade

Bioinformática em 29 de agosto de 2018

Mesmo quando a genética predispõe a criança à obesidade, a alimentação pode modificar essa tendência. Um estudo inédito mostra que a redução de bebidas açucaradas e cereais refinados pode modificar a atuação de receptores de hormônios que produzem a sensação de saciedade. O achado foi publicado em agosto na Nutrients, revista de alto impacto científico.

O estudo, liderado pela pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Aline Rocha, buscou compreender o efeito da alimentação no gene receptor da leptina, um hormônio que faz a conexão neural e sinaliza para o corpo a hora de parar de comer.

Os autores identificaram que o consumo de bebidas açucaradas (refrigerantes e sucos artificiais) e cerais refinados (farinha de trigo, pão, biscoito, bolos, etc.) causam alterações no gene receptor da leptina, comprometendo a transmissão desse sinal. Assim, esses alimentos agiriam no organismo intensificando a tendência genética para obesidade.

“Esses achados sugerem que o consumo acima da mediana de bebidas açucaradas e cereais refinados potencializa o efeito no ganho de peso em indivíduos que são geneticamente predispostos ao armazenamento de gordura corporal”, comentou Rocha.

Estudo

Os pesquisadores estudaram a dieta alimentar de 1.211 crianças entre quatro e 11 anos, todas moradoras de Salvador. Na amostra do estudo, uma a cada dez crianças estava acima do peso ideal – divididos entre 8,8% que estavam na faixa acima do peso e 4,8% foram considerados obesos.

Essas crianças tiveram seus dados genéticos integrados ao Programa Social Changes, Asthma and Allergy in Latin America Programme (SCAALA) da Plataforma de Epidemiologia Genética (Epigen), que reúne dados genômicos de milhares de brasileiros visando buscar respostas sobre questões de saúde pública, como a obesidade.

O estudo contou ainda com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), Universidade Salvador, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ), Case Western Reserve University e London School of Hygiene and Tropical Medicine.

Pesquisador(es): Aline Rocha.

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