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Diálogos Cidacs: simplicidade e humor são receitas para comunicar ciência

Diálogos Cidacs em 23 de Março de 2018
Foto: Cidacs

Os desafios de adaptar a linguagem científica para o público geral e, entre eles, os gestores públicos é um dos obstáculos para aqueles que comunicam ciência. Mas o tal cientifiquês não foi o único assunto abordado no seminário Diálogos Cidacs: Comunicação da Pesquisa em Saúde, realizado na quarta-feira, 7 de março, no auditório do Tecnocentro, no Parque Tecnológico da Bahia. O evento, aberto ao público, discutiu estratégias de comunicação em saúde, os desafios profissionais da comunicação científica e como atingir os diferentes públicos.

Estudantes, pesquisadores e profissionais da comunicação participaram de uma manhã em que os palestrantes trouxeram muitos exemplos e também bagagem teórica. Abrindo o evento, o coordenador do Centro de Integração de Dados para o Conhecimento em Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Mauricio Barreto, frisou que no Cidacs, desde a estruturação, a comunicação foi entendida como essencial no fazer científico. Em seguida, a coordenadora de comunicação do Cidacs, Raíza Tourinho, apresentou a estruturação, as atividades e os resultados alcançados pelo setor no primeiro ano de funcionamento do centro.

A Translação do Conhecimento foi abordada por dois ângulos diferentes na primeira mesa. A diretora de comunicação da Global Health Strategies (GHS), Maria Paola de Salvo, tratou o tema como uma estratégia de produção e disseminação da informação de modo a tornar o fazer científico mais acessível. “A ideia que nós trabalhamos é de ‘tradução’ do conhecimento, uma tradução que faça com que os tomadores de decisões possam compreender e se interessar pelas evidências científicas”, explicou Maria Paola.

“O trabalho do Cidacs é essencial porque os gestores, os jornalistas, estão sedentos por dados. E nós queremos que essas evidências cheguem aos gestores porque são eles que podem transformar evidências em protocolos, produtos e inovações que impactam diretamente na vida da sociedade. E a sociedade merece esse retorno, porque boa parte dessas pesquisas são feitas com dinheiro público”, ressaltou a diretora da GHS, empresa que presta consultoria a fundações internacionais que investem em pesquisa em saúde no Brasil, como a Gates Foundation.

Já o professor do Instituto de Comunicação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) André Pereira Neto, coordenador do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (LAISS), trouxe a conceituação da Translação do Conhecimento como a co-construção do conhecimento entre os acadêmicos, representantes da comunidade, profissionais e tomadores de decisão. Pereira Neto tratou ainda do papel do consumidor comum de informação e afirmou que os sites que divulgam informações científicas saúde não levam em conta o usuário. Por isso, ele defendeu, a Translação do Conhecimento deve ser feita considerando quem produz, o objeto de estudo e para quem é feita a ciência.

Jornalismo e Redes Sociais

Debater o jornalismo científico ficou por conta das jornalistas Mariluce Moura e Fabiana Mascarenhas. Mariluce é docente da Universidade Federal da Bahia (Ufba), criadora do projeto Ciência na Rua, da revista Bahiaciência e de um dos mais importantes veículos de comunicação científica do Brasil, a Revista Pesquisa Fapesp. Ela trouxe uma publicação da Folha de S.Paulo e mostrou como é possível tratar do fazer científico correlacionando com temas do cotidiano, saindo da questão das grandes descobertas científicas que costumam pautar o jornalismo.

Profissional há 15 anos no jornal A Tarde, Fabiana Mascarenhas se debruçou sobre o contexto do trabalho nas redações. “Quando entrei no jornal eu tive que provar que era boa mesmo fazendo [a cobertura jornalística de] ciência”. E, mesmo com temas tão importantes, a ciência não possui mais um caderno entre os grandes jornais desde 2014, quando foi fechado o Ciência e Vida que hoje é uma página fixa, contou. Mesmo com a disponibilidade de informação em grande quantidade e formatos mais curtos, como “pílulas de informação”, a jornalista acredita que existe um público que quer um texto mais elaborado e mais aprofundado, mostrando que o jornalismo pode aproveitar as diversas plataformas.

Para finalizar o evento, a coordenadora de comunicação da Assessoria de Comunicação da Fiocruz Brasília, Ana Carolina de Oliveira, mostrou o trabalho da instituição nas Redes Sociais. A profissional mostrou que, apesar de haver alguma resistência interna, uma linguagem mais descontraída, com o uso frequente de humor, dentro de uma instituição de saúde pública engaja mais pessoas do que formatos mais tradicionais na divulgação científica. Juntamente com os demais palestrantes, Oliveira propôs diversas reflexões para comunicação institucional e comunicação em saúde.

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