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Das moléculas às políticas sociais: evento discute o Big Data e produção científica

Dados em 9 de novembro de 2018

Quintilhões de dados são produzidos ao ano, cada genoma de uma pessoa tem quatro milhões de marcadores e redes sociais produzem informações a todo tempo de diferentes formatos. Nesse contexto, o público conectado com o uso do Big Data como estratégia de produção de conhecimento se reuniu esta semana no evento internacional Big Data Science – Bahia 2018, que segue até a próxima segunda-feira, 12 de novembro. Nos dois primeiros dias, 7 e 8, foram dedicados à apresentação das múltiplas possibilidades do uso de dados na produção científica em seminário realizado no auditório do Tecnocentro, das 9 às 18h.

O coordenador do evento foi o pesquisador associado ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Marcos Barreto. Ele destacou a importância do tema na sociedade contemporânea que produz milhões de dados e as múltiplas possibilidades desse momento. Para trazer as diferentes abordagens, pesquisadores de instituições federais brasileiras, da London School of Hygiene and Tropical Medicine e da University College London (UCL) trouxeram as diferentes pesquisas que estão utilizando com dados epidemiológicos, moleculares e genômicos.

Após apresentação inicial do evento, o coordenador do Cidacs, Maurício Barreto, destacou como a pesquisa com grandes bases de dados pode contribuir para a produção científica e fez um panorama do trabalho realizado no Cidacs a partir desse uso de dados. Para isso, destacou a Plataforma de Dados Integrados e os trabalhos necessários para harmonizar grandes bases de dados tão heterogêneas e volumosas como o Cadastro Único – que possui 144 milhões de brasileiros inscritos.

Diversas possibilidades

Multidisciplinar, o evento trouxe abordagens do ponto de vista da tecnologia da informação, mas com interface em campos bem distintos, como a genética e a política social. Para o membro do Núcleo de Produção de Dados (NPD), Luan Menezes, uma das pesquisas que chamaram a atenção do público foi a investigação que observou a diáspora africana e a distribuição dos genes no Brasil, cruzando com desfechos de saúde associados com tais etnias. O material foi apresentado pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Eduardo Tarazona, membro do projeto Epigen Brasil (Epidemiologia Genômica), do qual o Cidacs também faz parte.

O pesquisador do Cidacs, Artur Queiroz, mostrou como diferentes pesquisas a partir de dados genômicos abertos estão contribuindo para entendimento dos arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes, os insetos), a partir do sequenciamento genético.

Um dos destaques foi o pesquisador da UCL, Spiros Denaxas, que mostrou como dados podem ser usados para prognóstico de doenças. Já para a pós doutoranda Dandara Ramos, que pesquisa Efeito do Bolsa Família na mortalidade de crianças menores de cinco anos, o evento trouxe uma importante discussão sobre a comparabilidade de resultados e os possíveis vieses quando não são considerados o contexto social e local em que os dados foram produzidos. Uma das alternativas que a pesquisadora viu no evento foi a imputação múltipla para dados faltantes (missing data), referindo-se à pesquisa de Elizabeth Willianson da London School.

Um dos pontos polêmicos do seminário foi a conceitualização do tão falado termo Big Data e, de pronto, o pesquisador destacou que não basta ter muitos dados para ser big data. O professor Samuel Macêdo destacou os 5 Vs (variedade, volume, valor, velocidade, veracidade) com critérios para caracterizar o Big Data.

Duas apresentações enfatizaram a importância da matemática no Big Data, quando destacaram a modelagem matemática. O professor Nuno Sepúlveda da London School e a pós-doc do Cidacs Juliane Fonseca mostram como elaborar um desenho matemático para obter resultados mais precisos.

O Big Data Science – Bahia 2018 segue ainda nesta sexta com realização de minicursos na UFBA e no dia 12 deste mês.

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