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Café científico discute uma “plataforma de possibilidades” para o SUS

Inovações para SUS em 26 de setembro de 2018
Foto: Nucom/Cidacs

Quem participou do Café Científico de Setembro, realizado nesta terça-feira, dia 25, pôde conhecer a “Plataforma de Possibilidades” como foi definida a Plataforma Tecnologias e Inovações para o SUS desenvolvida no Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). A roda de conversa trouxe um olhar ainda mais prático sobre processos de obtenção de informações em saúde por meio de tecnologias móveis e outras possibilidades.

O cientista da computação Roberto Carreiro, pesquisador do Cidacs, coordena a plataforma e está à frente do projeto piloto “Incorporação de Tecnologias Móveis à Rotina de Trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e Análise dos Dados da Saúde da Família, em tempo real, no Estado da Bahia”. O projeto está testando o potencial de tecnologias móveis no trabalho dos agentes comunitários de saúde. Além disso, estão sendo desenvolvidas pesquisas para subsidiar a farmacovigilância no Brasil, uma demanda da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no controle e monitoramento dos Efeitos Adversos a Medicamentos (EAM), um grave problema de saúde pública mundial.

Para o cientista Carreiro, a plataforma oferece como maior potência o olhar direto sobre a sociedade, seja por meio do agente comunitário, ou no caso das demandas dos Efeitos Adversos a Medicamentos há a possibilidade de obter dados agregados de redes sociais que não se encontram em órgãos oficiais. “O agente comunitário tem um olhar sobre o processo saúde-doença diferente porque é ele quem está no local. É ele quem sabe que aquele morador vai no bar e bebe e pode fazer inferências sobre esse sujeito”, exemplifica cientista.

Roberto deu início à apresentação conceituando Saúde Digital, ou e-Health, como um campo que faz uma intersecção entre as necessidades em saúde e as potencialidades tecnológicas. No projeto piloto já em aplicação, agentes comunitários do município de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, todos atuantes em três Unidades Básica de Saúde (UBS) em que os trabalhadores estão utilizando smartphones que possuem aplicativos para preenchimento de fichas de saúde, com possibilidade de preenchimento off-line, sincronização posterior e georreferencimento mais preciso.

A iniciativa desenvolvida em parceria com o governo do Estado da Bahia, a Companhia de Processamento de Dados (Prodeb) e a Prefeitura de Camaçari, viniciado neste segundo semestre do ano, e inova na produção de dados em microáreas, gerando informações para os gestores com potencial de representação da realidade local muito maior que os dados elaborados por município. Podendo trazer informações sobre problemas de infraestrutura, saneamento básico, foco de acumulo de resíduos e outros dados que podem ser indicadores para questões de saúde.

Efeitos Adversos a Medicamentos (EAM)

Entre as ações em desenvolvimento no projeto de farmacovigilância, realizado com mais sete instituições de pesquisa do Brasil estão sendo elaboradas estratégias para captar boatos sobre medicamentos e usando grandes bases de dados (big data) fazer inferências com validade científica. “O boato sozinho não é nada, mas usar isso como pista com estratégias científicas, pode nos oferecer diversas informações”, comentou.

Um dos trabalhos desenvolvidos, por exemplo, capta posts e comentários do Twitter e Facebook que tenham relações com os EAM para cruzar com dados de sistemas oficiais de saúde e perceber se há relações, se vêm do mesmo espaço geográfico, entre outras. Já no campo da bioinformática, um dos trabalhos que vem sendo desenvolvido é o de simulação metabólica para verificar a plausibilidade biológica dos efeitos colaterais e interações medicamentosas apontados, apenas utilizando dados computacionais e organismos simulados.

Veja os slides da apresentação clicando aqui.

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