Evento discutiu o uso de dados de saúde e modelos comuns de dados na América Latina
“Temos o intuito de juntar os que sabem muito sobre interoperar com os que gostariam de fazer, mas não têm ainda os recursos necessários, como o caminho ou o conhecimento específico”, afirmou Valentina Martufi, pesquisadora associada ao Cidacs/Fiocruz Bahia e organizadora do 1º Simpósio América Latina OHDSI 2026. O evento foi realizado em Salvador nos dias 30 e 31 de julho como primeiro evento da comunidade Observational Health Data Sciences and Informatics (OHDSI) realizado na região.
Com o tema “Ciência de dados para a equidade em saúde”, o encontro reuniu pesquisadores, gestores, profissionais de tecnologia, representantes do setor público e privado e especialistas de diferentes países para discutir caminhos para o uso de dados de saúde. Para realização da iniciativa, a OHDSI contou com a parceria do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Precision Data, além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Instituto Todos pela Saúde, da Merck Sharp & Dohme (MSD) e da Universidade Senai Cimatec.
América Latina no centro do debate – As discussões sobre os desafios e as oportunidades para ampliar a interoperabilidade de dados de saúde na América Latina foi o principal ponto de debate de toda a agenda do evento. Estavam presentes representantes de sistemas de saúde de países como República Dominicana, Guatemala e Cuba.
“Nossa realidade na América Latina é muito particular. Quando se trata de investigação em saúde, sobretudo dos temas que estamos tratando nesse simpósio, a comparação entre a nossa região e outras como a Europa não é tão automática, embora exista”, explicou o venezuelano Rafael Pinedo-Villanueva, professor associado de Economia da Saúde da Universidade de Oxford, que ministrou a palestra magna do evento com o tema “Modelo Comum de Dados para a Equidade em Saúde: o papel da América Latina”.
De acordo com o pesquisador, quando se olha de forma superficial, pode parecer que o norte global avançou muito, mas não é uma comparação justa, visto que a realidade latino-americana é complexa e heterogênea.
Diferentes painéis debateram interoperabilidade e padrões de dados para a pesquisa em saúde, o poder da pesquisa com dados administrativos para apoiar políticas e a tomada de decisões e perspectivas entre os setores público e privado. Um espaço de apresentação de pôsteres também apresentou experiências específicas de pesquisadores e profissionais da área.
Para promover formação prática e colaboração científica, foram ministradas no simpósio as oficinas “Introdução ao Modelo Comum de Dados OMOP”, “ETL para OMOP”, “Colaboração científica: oportunidades para estudos de redes na América Latina” e “Criação de Coortes”.
“Fazer esse evento de forma presencial ajuda a América Latina a se posicionar no cenário global com representatividade e dizer o que realmente está acontecendo em termos das questões de saúde da população”, enfatizou Valentina Martufi. Os próximos passos a curto prazo envolvem uma reflexão do que pode ser feito de forma concreta, nessa rede colaborativa entre os países, já para os próximos meses.
O que é a OHDSI – A OHDSI é uma comunidade científica internacional fundada com o objetivo de gerar evidências a partir de dados observacionais de saúde. Presente em dezenas de países, reúne hospitais, universidades, agências reguladoras e empresas farmacêuticas com o objetivo de transformar dados clínicos em conhecimento para a saúde pública.
O coração técnico da OHDSI é o OMOP Common Data Model (CDM), um padrão que permite converter registros de saúde de diferentes sistemas e países em um formato único e interoperável. A ideia é que estudos científicos podem ser reproduzidos e comparados entre instituições ao redor do mundo em pesquisas de larga escala.
Mais detalhes sobre o evento e programação ainda estão na página ativa do Simpósio.
