Inundações, ciclones, secas, temperaturas extremas, tsunamis e terremotos prejudicam a instalações de saúde e armazenamento de vacinas
Uma revisão de escopo foi realizada por pesquisadores da Plataforma Cidacs Clima, do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), para compilar a literatura disponível sobre os efeitos dos desastres envolvem tanto as condições climáticas (como chuvas e ventos) quanto os recursos hídricos (como o nível de rios e umidade do solo) e geológicos na imunização de rotina e em surtos de Doenças Preveníveis por Vacinação (DPV) entre crianças e adolescentes menores de 18 anos.
As bases utilizadas foram Medline, Embase, Global Health, Scopus e Web of Science, em busca de estudos originais e revisões sistemáticas sobre o tema publicados até 21 de outubro de 2024. Foram incluídos estudos que analisaram quantitativamente o efeito de qualquer um dos 30 desastres hidrometeorológicos e geológicos reconhecidos pelo Banco de Dados de Eventos de Emergência (EM-DAT) – ou aqueles que se enquadravam nos critérios do EM-DAT – em uma lista abrangente de vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas 23 doenças que elas previnem.
Dos 26 estudos incluídos, 19 tratavam de surtos de doenças preveníveis por vacinação e sete focavam na interrupção da imunização de rotina. A revisão indica que inundações, ciclones, secas, temperaturas extremas, tsunamis e terremotos podem resultar em surtos de doenças preveníveis por vacinação e na interrupção da imunização de rotina, além de identificar crianças pequenas e pessoas refugiadas como populações em risco.
Relatou-se que as inundações estão associadas a surtos de doenças preveníveis por vacinação transmitidas pela água e por vetores, como a malária. Condições precárias de água, saneamento e higiene foram adicionalmente reconhecidas como fatores facilitadores para surtos de doenças preveníveis por vacinação após desastres.
Os estudos sobre vacinação relataram uma redução nas taxas de imunização de rotina nos meses seguintes a um desastre, apontando os danos infraestruturais às instalações de saúde e os problemas no armazenamento de vacinas como causas comuns. Por fim, constatou-se uma lacuna significativa de conhecimento sobre os efeitos de desastres específicos (por exemplo, incêndios florestais e erupções vulcânicas) e de certas doenças (por exemplo, influenza, febre amarela, malária e dengue).
Para acessar estudo completo, clique aqui.
Pesquisador(es): Isabel T. Barnidge, Andrêa Ferreira, Sari Kovats, Sofia Maito Velasco, Alastair Leyland, Luiz Augusto C Galvão, Gervásio Ferreira dos Santos, Enny Paixão, Mauricio Barreto, Elizabeth B. Brickley, Julia Pescarini.
Periódico: PLOS Global Public Health
Ano de publicação: 2026
