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Centros urbanos com maior desigualdade tiveram maior taxa de mortalidade por Covid-19

em 9 de Janeiro de 2023
Obras da Favela Galeria, uma galeria a céu aberto em São Mateus, zona leste da capital.

Estudo recente publicado na revista PLOS One relata que a mortalidade por COVID-19 em residentes brasileiros depende da cidade em que vivem. Os resultados mostraram maiores taxas de mortalidade por COVID-19 naqueles centros urbanos com maior desigualdade e segregação de renda.

A investigação evidenciou que altos níveis de desigualdade e segregação contribuíram para excesso de mortalidade por COVID-19 nas grandes cidades brasileiras. Em cidades mais desiguais houve 17% a mais de mortalidade e em cidades mais segregadas houve até 11% a mais de mortalidade.

A pesquisa é um dos produtos do projeto Saúde Urbana na América Latina (Salud Urbana en América Latina, ou SALURBAL), um projeto de pesquisa que estuda como as políticas urbanas e os ambientes urbanos afetam a saúde de moradores das cidades latino-americanas. Segundo os pesquisadores, compreender como a desigualdade e a segregação de renda contribuem para o excesso de mortalidade por COVID-19 nas cidades brasileiras é essencial para a proposição de políticas públicas de saúde que visem mitigar o impacto da pandemia.

“Apesar da estreita relação entre a desigualdade e a segregação de renda, ressalta-se que a desigualdade reflete questões relacionadas à alocação global de recursos em uma sociedade, enquanto a segregação lida com a dimensão espacial desse problema, que isola e vulnerabiliza as populações mais carentes”, enfatizam os pesquisadores.

Os autores destacam que, quanto maior a desigualdade e segregação de renda, piores as condições de acesso à saúde, o que aumenta significativamente a vulnerabilidade à COVID-19. Quando a renda está concentrada na custódia de poucos indivíduos, e sendo as doenças infecciosas um problema social coletivo, não há contexto para a formulação de medidas unificadas de saúde pública e social, essenciais para combater as pandemias.

Os achados do estudo evidenciam que, por meio da implementação de políticas consistentes de longo prazo, as desigualdades socioeconômicas podem ser permanentemente reduzidas, permitindo que os agentes públicos se preparem melhor para enfrentar futuras crises sanitárias. Iniciativas de cooperação e coordenação em nível global também são relevantes, especialmente para o compartilhamento de experiências de países de baixa e média renda como o Brasil.

A alta concentração de renda prejudica a coesão social e corrói a confiança da população em seu governo, afetando a capacidade de resposta geral às crises sanitárias. A atuação política fragmentada e a total desarticulação do Governo Federal com outras instituições foram um fator chave na promoção das desigualdades no Brasil. Tais fatores levaram o país a atingir uma das maiores taxas de incidência e mortalidade por COVID-19 no mundo.

Autores do estudo: Firmino Sousa Filho (UFBA/CIDACS) Uriel Silva (UFMG); Larissa Lima (CEFET-MG); Aureliano Paiva (CIDACS); Gervásio Santos (UFBA/CIDACS); Roberto Andrade (UFBA/CIDACS); Nelson Gouveia (USP); Ismael Silveira (UFBA); Amélia Friche (UFMG); Maurício Barreto (CIDACS); Waleska Caiaffa (UFMG)

Para acessar a publicação, clique aqui.

Para mais informações sobre SALURBAL visite drexel.edu/lac e para materiais de imprensa clique aqui.

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