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Soluções para a pobreza não podem ser homogêneas, defendem pesquisadoras

em 28 de novembro de 2022
Dandara Ramos na sessão Desafios no Cuidado e nas Políticas para Populações Vulnerabilizadas | Imagem: Diego Matos/NCD

Inequidades sociais, raciais e de gênero ganharam destaque no último dia do Abrascão

 Por Clarissa Viana

O retrato das condições de moradia entre os mais pobres demonstra um processo de feminização da pobreza, que se agravou com a pandemia de Covid-19 e merece um olhar especial voltado para as populações tradicionais. O estudo “Determinantes Sociais e Condições de Moradia de Mulheres Quilombolas: Uma Análise a partir da Coorte de 100 Milhões de Brasileir@s” parte desse esforço de caracterizar a situação dos povos originários, entendendo a moradia como um fator determinante para a saúde dessas populações.

O trabalho, com autoria principal de Emanuelle Goes, foi apresentado por Dandara Ramos na sessão do Abrascão “Desafios no Cuidado e nas Políticas para Populações Vulnerabilizadas”. Utilizando a Coorte de 100 Milhões (2011-2018), a pesquisa descritiva fez uma caracterização das condições de moradia de mulheres quilombolas, comparando as condições prevalentes entre negras não-quilombolas e brancas. Foram avaliados fatores relacionados às condições de moradia, como acesso à água, à rede elétrica, e esgotamento sanitário, bem como escolaridade.

 “Sabemos que dentro de territórios e comunidades quilombolas há um processo de agravamento da pobreza, muitas delas, em contextos rurais, em situação de residência segregada dos grandes centros ou, dentro de grandes centros, segregadas em termos de direitos habitacionais e de saúde”, avaliou Dandara.

Os resultados indicam maior vulnerabilidade das mulheres quilombolas, em comparação com as condições das mulheres negras não-quilombolas e das brancas. Entre as 30.284 mulheres quilombolas na Coorte, 72,3% vivem em contexto rural, diferença expressiva se observado o percentual de 13% das negras não-quilombolas e 9,5% das brancas. Quanto à escolaridade, também foi registrada disparidade – 17,37% nunca estudaram, contra 9,9% e 7,4% respectivamente.

“Mesmo numa população de baixa renda ainda são observadas desigualdades muito importantes quando olhamos para as mulheres quilombolas. […] Dentro das políticas que são desenvolvidas na esfera do Cadastro Único é muito importante que a gente tenha um olhar atento para as necessidades específicas de cada subpopulação”, defendeu Dandara.

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