Serviços   O conteúdo desse portal pode ser acessível em Libras usando o VLibras

Desafios e inovação na divulgação científica sobre saúde são debatidos no Abrascão

em 23 de novembro de 2022
Líder do NCD, Raíza Tourinho apresentando no Abrascão. Imagem: Gabriela Carvalho/NCD.

Por Clarissa Viana
Edição: Mariana Sebastião

A pandemia de Covid-19 trouxe uma série de desafios para quem atua com divulgação científica no campo da saúde, entre eles, o problema da desinformação. E o principal caminho para lidar com a desinformação é pela via da credibilidade, oferecendo à população informação de qualidade e acessível para cada tipo de público. Raiza Tourinho, líder da Comunicação do Cidacs/Fiocruz Bahia, apresentou duas experiências de êxito no campo da divulgação científica sobre saúde, durante sessões ocorridas no segundo dia do 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão).

Durante a roda de conversa sobre “Comunicação, Ciência e Desinformação”, Raiza relatou a experiência da Rede CoVida – Ciência, Informação e Solidariedade. De caráter multidisciplinar, o projeto de colaboração científica surgiu em março de 2020, como uma resposta de pesquisadores e profissionais de comunicação para o enfrentamento da emergência sanitária.

Além do monitoramento da epidemia, a Rede tem atuado na construção de modelos matemáticos em tempo real, na sintetização de evidências científicas, bem como sua divulgação. Mais de 40 profissionais de comunicação passaram pela rede, atuando de forma remota.

“A grande inovação da Rede CoVida foi essa parceria entre pesquisadores e comunicação, sobretudo, porque trabalhamos em parceria desde o primeiro momento; ao contrário do que geralmente acontece, a comunicação não estava no final do processo”, avaliou Raiza.

A Rede CoVida passou por três principais momentos. Nos primeiros seis meses, o foco era uma comunicação mais rápida, com o objetivo de fazer circular informações confiáveis sobre a pandemia. Essa troca entre pesquisadores e profissionais se efetivava no núcleo da disseminação do projeto, onde eram pensadas as estratégias de divulgação, que resultaram em boletins, notas, relatórios, debates, entre outros.

O segundo momento é marcado pela retomada de produções científicas, a exemplo do e-book, lançado ainda em 2020, e do estudo sobre distanciamento social. Tiveram ainda projetos derivados, com a continuação dos trabalhos em grupos específicos, como a continuidade dos trabalhos do núcleo de modelagem matemática e o Avalia CoVida.

Ao longo dos trabalhos da Rede CoVida, foram mais de 200 cards, 70 matérias, 62 webinários e conteúdos em diferentes formatos, sempre reforçando a narrativa de credibilidade científica. “No tradicional relacionamento com a mídia, nós conseguimos construir credibilidade, de ser uma referência local e regional, que envolveu desde a troca com colegas jornalistas, até o impacto em políticas públicas”, afirmou Raiza, lembrando o caso da suspensão da flexibilização das medidas de contenção do vírus, após divulgação de boletim sobre a evolução da pandemia pela Rede CoVida.

Inovação na comunicação da ciência

Como traduzir um índice complexo, como o Índice Brasileiro de Privação (IBP), para a linguagem midiática? O Mediathon foi a solução inovadora, encontrada pelo Cidacs, para facilitar esse processo de divulgação científica a partir da imprensa. A experiência do Mediathon foi apresentada pela líder do Núcleo de Comunicação e Disseminação Científica (NCD) na sessão de trabalhos sobre diversidade discursiva e construção da realidade, do grupo de trabalho de comunicação e saúde.

O IBP é uma ferramenta que pode ser utilizada por gestores públicos, profissionais de saúde e pesquisadores para medir a privação material, que envolve os componentes de educação, renda e moradia. O grande diferencial do IBP frente aos demais índices existentes é a possibilidade de medir as desigualdades em pequenas áreas dentro dos municípios.

“Nós criamos o modelo do mediathon, que vem da concepção do hackathon – aquelas maratonas tecnológicas para o desenvolvimento de solução. Pensamos: “por que não fazer uma maratona de reportagens, para que eles pudessem desenvolver diversos ângulos a partir dessa base de dados em comum?”, explicou.

Foram duas semanas de atividades, reunindo um grupo de jornalistas convidados, de diferentes regiões do país, para publicar reportagens no mesmo período. As atividades envolveram a produção de um webinário sobre cobertura jornalística sobre desigualdades, uma oficina de dados em Saúde, além de momentos de interação e trocas entre pesquisadores e jornalistas.

“Tivemos reportagem sobre violência doméstica, sobre agrotóxicos, então, eles realmente tiveram uma criatividade para além do que a gente tinha pensado”, avaliou. Segundo Raiza, o saldo foi positivo, sendo possível estreitar a relação entre a comunicação do Cidacs e os jornalistas.

Galeria
Evento
NewsletterNovidades Cidacs