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Abrascão: Direito à saúde é uma questão política e não só técnica, afirmam líderes

em 22 de novembro de 2022
Abertura do Abrascão. Imagem: Diego Matos/NCD

Sessão Magna do Abrascão reforça a importância da superação das desigualdades para garantia do direito à saúde 

Por Clarissa Viana/ NCD

O primeiro Abrascão “pós” a maior crise sanitária do último século começou e veio com o tema “Saúde é Democracia: Diversidade, Equidade e Justiça Social”. A abertura do 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão) foi um momento de reforçar a centralidade da Saúde para a superação das desigualdades sociais. A sessão magna conduzida pela presidente da associação Rosana Onocko, contou com a participação da ministra da Saúde do Chile, Ximena Aguilera, e do diretor eleito da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa.  

Especialista em saúde pública, a ministra Ximena Aguilera assumiu a pasta em setembro de 2022. Durante sua conferência, ela fez um panorama da situação social e da saúde chilena, refletindo sobre os desafios para se garantir a superação de problemas considerados por ela estruturais, avançando para um sistema de saúde que congregue e não segregue. “Não se pode resolver tecnicamente o que está estruturalmente mal”, afirmou.  

Os desafios da garantia efetiva do direito à saúde também foi objeto de reflexão do diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. Segundo Barbosa, a Pandemia de Covid-19 evidenciou problemas crônicos, como o subfinanciamento, o acesso desigual a recursos, inclusive, humanos, bem como a importância do fortalecimento da Atenção Primária.  

Acesso

“De cada 100 pessoas que têm hipertensão na América Latina e no Caribe, só 50 sabem; os outros 50 só vão descobrir quando tiverem um acidente vascular cerebral em algum momento da vida. Dos 50 que sabem, só 25 conseguem controlar, inclusive, por falta de acesso a medicamentos. Só podemos mudar esse quadro com financiamento adequado, com a preparação dos profissionais de saúde e com o fortalecimento de uma Atenção Primária que possa responder a esse e outros problemas”, explicou.  

Barbosa falou ainda sobre a importância do respeito à diversidade para a superação das barreiras do acesso à saúde, bem como, a importância da democracia para o êxito das políticas de saúde. “O nosso Sistema Único de Saúde no Brasil se fortalece justamente por sua capacidade de diálogo, abertura, liberdade de expressão, interação com a comunidade; isso é fundamental para que o nosso sistema de saúde seja capaz de responder às necessidades que as populações têm”, avaliou.  

Ainda durante a sessão magna, foi feita uma breve apresentação do dossiê organizado pela Abrasco, com uma síntese do que foram esses quase três anos de pandemia de Covid-19. O pesquisador da Fiocruz, Rômulo Paes de Sousa, vice-presidente da Abrasco e organizador do documento.  “Esse é um texto político e é um texto técnico, então o nosso esforço foi de combinar essas várias vozes essas várias formas de expressar e perceber um fenômeno tão complexo como uma pandemia”, comentou Almeida. 

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