Serviços   O conteúdo desse portal pode ser acessível em Libras usando o VLibras

Estudo do Cidacs aponta fatores que influenciam para o nascimento prematuro

Coorte de Nascimentos em 28 de julho de 2022
Créditos: Portal Dráuzio Varella

Entre os fatores que se destacam neste modelo teórico que busca hierarquizar e entender os determinantes que levam a ocorrência da prematuridade no Brasil, estão as condições biológicas e psicossociais

Estimativas globais apontam um aumento no número de nascimentos prematuros nas últimas décadas, com o índice tendo alcançado 10,6%, em 2014. Além disso, em 2016, complicações por nascimento prematuro foram as principais causas de morte até os cinco anos de idade. Diante da urgência em aprofundar os estudos sobre a temática, pesquisadores associados ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) realizaram um estudo, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, para definir os principais determinantes que influenciam na ocorrência da prematuridade, e as condições biológicas da mãe podem ser um dos principais determinantes que levam ao parto prematuro.

No estudo, os pesquisadores propuseram um modelo teórico capaz de descrever as inter-relações entre diferentes causas possíveis que poderiam levar a um nascimento prematuro. O estudo divide o modelo teórico em três partes, considerando diferentes níveis de influência que cada um dos fatores pode ter. Para além dos indicadores distais, focados mais nos aspectos socioeconômicos e demográficos, existem também os determinantes intermediários, liderados pela saúde psicológica materna, que pode estar associado ao trabalho de parto prematuro. Violência por parceiro íntimo, dificuldades financeiras, gravidez inesperada, mulheres expostas a ansiedade, condições estressantes e depressão pré-natal são alguns exemplos que ajudam a ilustrar este cenário. Assim como o aumento do tabagismo, o uso de drogas e álcool e a má alimentação, ocasionados por esses transtornos psicológicos. Confira abaixo no modelo teórico completo.

 

RCIU: restrição do crescimento intrauterino; PIG: pequeno para a idade gestacional. Fonte: Autores.

Fatores que levam à prematuridade

Entre os fatores mais distais, o nível educacional passa a ser outro importante marcador em relação ao acesso aos serviços de saúde, bem como o nível conjugal da mãe, pois a incerteza do futuro, a insegurança no relacionamento, o menor apoio emocional/social e a desvantagem econômica, quando comparadas com as mães com companheiros, podem ser fatores influenciadores.

Além disso, a raça/etnia pode ser relacionado ao impacto ocasionado pelas desigualdades, pois comportamentos de risco associados ao estresse podem favorecer o aumento da chance de nascimento prematuro. E outras questões como as condições de habitação, relacionadas as características da área de residência e vizinhança, no que diz respeito a gestante ser induzida ao medo e ao estresse psicológico, principalmente no primeiro trimestre da gravidez, também apontam para um possível desfecho prematuro na gravidez.

Por fim, outros fatores maternos e aqueles associados ao feto, configuram como a terceira categoria, enquadrada como determinantes proximais, e que estão mais próximas das ocorrências de parto prematuro. A categoria aponta o risco relacionado a imaturidade biológica e de suprimento sanguíneo do útero ou do colo uterino, devido a gravidez na adolescência, por exemplo. Ou mesmo questões como hipertensão arterial e outras complicações obstétricas, ocasionadas pela gestação em idades mais avançadas. Baixo peso ou obesidade próximo ao período da gravidez, desnutrição, intervalo curto entre gestações, além de doenças crônicas maternas, como diabetes, hipertensão, anemia, entre outras, também se enquadram como fatores de risco desta terceira categoria.

Base teórica para futuras pesquisas

De acordo com a pesquisadora que esteve à frente do estudo, Aline Rocha, o nascimento prematuro é um fenômeno complexo e multifatorial, envolvendo uma rede de mecanismos causais que não podem ser esgotados em um único modelo, como o proposto nesta revisão. “No entanto, esse modelo pode servir de base teórica para a modelagem estatística em estudos que avaliam as inter-relações e os efeitos de mediação dos determinantes do nascimento prematuro. Ele também pode contribuir para a compreensão dos fatores de risco que levam à prematuridade, para o entendimento das relações entre si e que possa auxiliar no desenvolvimento de estratégias específicas de prevenção do nascimento prematuro, na tentativa de se interromper a cadeia de determinação desse desfecho”, explicou Aline.

A pesquisadora também espera que este tipo de modelo teórico possa ser testado em uma grande coorte de nascimentos, a exemplo da Coorte de Nascimento do próprio Cidacs, e em outros estudos com dados vinculados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), e outras diversas bases de dados sobre nascimento, para melhor entender os determinantes do nascimento prematuro.

Periódico: Ciência & Saúde Coletiva

Ano de publicação: 2022

DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232022278.03232022

NewsletterNovidades Cidacs