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Casos e óbitos da Covid-19: estudo confirma que pessoas negras, indígenas e pobres foram maiores vítimas da pandemia

Pamepi Escrito por Antônio H. C. Laranjeira  em 10 de Maio de 2022

Pesquisadores da Plataforma Analítica de Modelos para Epidemiologia (Pamepi) realizaram uma classificação dos fatores de risco e vulnerabilidades mais atualizados relacionados à Covid-19 na população do Brasil. O estudo está em fase de pré-print (quando ainda será submetido à revisão pelos pares científicos).

O artigo desenvolvido pelo grupo de pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) descreve como características demográficas (sexo, idade, etnia), socioeconômicas (escolaridade e renda), clínicas (comorbidades, características de hospitalização), além do status vacinal individual, agravam o risco de óbito por Covid-19 entre brasileiras e brasileiros.

Perfis da Covid-19

O achados foram feitos com dados gerados entre 26 de fevereiro de 2020 e 15 de novembro de 2021, quando o Brasil registrou 15.663.203 casos confirmados de SARS-CoV-2 com 584.761 mortes confirmadas nas bases de dados da Síndrome Gripal e da Síndrome Respiratória Aguda Grave, disponíveis no OpenDataSUS.

Essas bases de dados, juntamente com as bases de vacinação e privação,  serviram para a equipe realizar este estudo com big data que descobriu, por exemplo, que mesmo sendo  os homens aqueles que mais morreram de Covid-19 no Brasil, as puérperas internadas apresentaram risco aumentado de morrer em comparação com indivíduos sem comorbidades relatadas.

Os achados dos pesquisadores da Fiocruz apresenta ainda outros dados sobre o tempo de internação das vítimas da pandemia, o risco aumentado de minorias étnicas e pessoas com doenças crônicas ou multimorbidades, bem como as correlações com fatores sociodemográficos das regiões do Brasil.

Impacto internacional da pesquisa 

Uma das autoras do estudo, Juliane Fonseca, pesquisadora associada ao Cidacs e líder do projeto de desenvolvimento Pamepi, explica as questões específicas que envolvem uma pesquisa com grandes volumes e diversas fontes de dados.

“Coletamos dados não identificados individualizados de pacientes suspeitos de Covid-19 leve a grave no Brasil para caracterizar o perfil da doença e fatores associados à detecção, acesso a unidades de saúde, período de tratamento e mortalidade. Em seguida, adicionalmente, agregamos dados sobre a campanha nacional de vacinação e do Índice Brasileiro de Privação (IPB) relacionado à região de residência de cada paciente para identificar proporções de cobertura vacinal e disparidades socioeconômicas que corroboram agravos no quadro do paciente. Quando nós empregamos análises de dados e um modelo de regressão logística, estimamos parâmetros essenciais para estudar o cenário atual e futuro da pandemia no Brasil e os principais fatores e vulnerabilidades que contribuem para as mortes por Covid-19”, afirma a pesquisadora.

A publicação é um dos mais recentes resultados de um projeto de pesquisa albergado pelo Cidacs/Fiocruz Bahia e financiado pela International COVID-19 Data Alliance (ICODA), uma iniciativa do COVID-19 Therapeutics Accelerator convocada pela Health Data Research UK e pelo Programa de Promoção da Inovação da Fiocruz.

Referência

Pereira, Felipe A.C. and Filho, Fábio M.H.S. and de Azevedo, Arthur R. and de Oliveira, Guilherme L. and Flores-Ortiz, Renzo and Valencia, Luis Iván O. and Rodrigues, Moreno M. S. and Ramos, Pablo I. P. and da Silva, Nívea B. and Oliveira, Juliane Fonseca, Profile of COVID-19 in Brazil: Risk Factors and Socioeconomic Vulnerability Associated with Disease Outcome. Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=4081979 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.4081979.

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