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Pesquisa do Cidacs revela perfil de mulheres com maiores chance de terem filho prematuro

Coorte de Nascimentos Escrito por José Victor Sales  em 14 de Abril de 2022
Créditos: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Os índices gerais de prematuridade sofreram aumento nas últimas décadas e no Brasil não é diferente: o país chegou a atingir um aumento de 11% em um balanço realizado em 2014. Essa posição configura o Brasil entre os 10 países com as maiores taxas de prematuridade no mundo. Para ressaltar a necessidade de investir em pesquisas científicas e políticas públicas que busquem diminuir essas taxas, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) realizou um estudo que analisou quem são as mulheres que possuem mais chances de ter um filho prematuro.  Publicado na BMC Medicine, o artigo traz, entre seus resultados, que as mães não formalmente casadas e as que tiveram um baixo número de consultas pré-natais lideram com as maiores chances e recorrência de desenvolver a Síndrome da Prematuridade.

As mulheres com intervalo de parto menor que 12 meses apresentam 2,5 vezes mais chances de terem um segundo parto prematuro. E quanto à quantidade de consultas de pré-natal, ter realizado menos de quatro consulta eleva em 2,2 vezes essa chance. Já as mulheres com 35 a 49 anos apresentam chance de 40% a mais quando comparadas aquelas com idade entre 20 a 34 anos, conforme revelou os dados.

A pesquisadora Aline Rocha, que liderou o estudo, alerta para o perigo que há nesses números. Rocha se refere às consequências da prematuridade para a criança, uma vez que nascer  prematuro é uma das maiores causas de mortalidade infantil, podendo também ocasionar diversas complicações ao longo da vida. No entanto, ela ressalta que a Síndrome da Prematuridade ocorre devido a diversos fatores sociais, demográficos, psicológicos, comportamentais, entre outros.

“Entre os fatores que aumentam as chances de uma mulher ter um filho prematuro, estão o fato de conviver em uma casa lotada, dividindo a residência com diversos familiares, além das desigualdades étnico-raciais, tendo em visa que gestantes pretas e pardas, ou indígenas, também apresentaram maior chance de terem um filho prematuro. Já as mulheres que não só possuem uma chance maior, como também apresentaram um histórico maior de Síndrome da Prematuridade, as que realizaram um baixo número de consultas pré-natais (menos que quatro), as que tiveram um curto intervalo entre uma gravidez e outra, e as mulheres com idade mais avançada, que tiveram filho entre 35 e 49 anos”, declarou Aline.

Para chegar a este alcançar os resultados, foram utilizados os dados de 3.528.050 bebês nascidos vivos, de 1.764.025 mulheres que tiveram mais de um parto. Os dados são oriundos da Coorte de Nascimento do Cidacs, que unifica diversas bases de dados como o Cadastro Único (CADÚnico) e o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), entre 2001 e 2015.

De acordo com Aline, o estudo poderá auxiliar na criação de estratégias e políticas públicas que possam auxiliar a diminuir e prevenir as taxas de prematuridade na segunda gravidez. “Os resultados do nosso estudo podem ajudar a identificar mulheres com alta vulnerabilidade a partos prematuros em uma segunda gestação e contribuir para implementação de políticas públicas que visem a redução desse problema de saúde pública. Ressaltamos a importância da ampliação do acesso e a qualidade do pré-natal, a introdução de protocolos de identificação precoce e o manejo clínico de mulheres em risco de parto prematuro, incluindo a aplicação de abordagens terapêuticas oportunas”, complementou Aline.

Os resultados do estudo podem ajudar a identificar mulheres com alta vulnerabilidade a partos prematuros em uma segunda gestação e contribuir para implementação de políticas públicas que visem a redução desse problema de saúde pública.

Referência: Rocha, A.S., de Cássia Ribeiro-Silva, R., Fiaccone, R.L. et al. Differences in risk factors for incident and recurrent preterm birth: a population-based linkage of 3.5 million births from the CIDACS birth cohort. BMC Med 20, 111 (2022). https://doi.org/10.1186/s12916-022-02313-4

Edição: Karina Costa

Pesquisador(es): Aline Rocha.

Periódico: BMC Medicine

Ano de publicação: 2022

DOI: https://doi.org/10.1186/s12916-022-02313-4

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