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Cidacs realiza pesquisa global sobre a Covid-19 em colaboração com Oxford e Paquistão

Parcerias Escrito por Antônio H. C. Laranjeira  em 15 de Março de 2022

A pandemia de Covid-19 colocou um fardo sem precedentes nos sistemas de Saúde globais, particularmente em comunidades com poucos recursos. Para compreender melhor isso, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) está participando de uma nova colaboração entre o Reino Unido, Brasil e Paquistão, financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates.

A parceria utilizará dados não identificados de saúde de dois dos países mais afetados pela pandemia do mundo para aumentar a compreensão de pesquisas e acelerar o gerenciamento da doença.

“Existem grandes desafios na análise de dados produzidos em diferentes países. Essa iniciativa envolvendo pesquisadores e instituições de dois grandes países do Sul é uma experiência única que esperamos poder ser compartilhada e multiplicada”, diz Mauricio Barreto, coordenador do Cidacs/Fiocruz Bahia.

Oxford, Brasil e Paquistão

A taxa de mortalidade por Covid-19 no Brasil, maior país da América do Sul, o tornou o segundo país mais atingido do mundo em 2020. Já o sul da Ásia, lar de um quarto da população mundial, é um hotspot devido ao fato que a etnia do sul da Ásia está associada a um alto risco de infecção grave e mortalidade relacionada à doença.

No entanto, houve pouca ou nenhuma análise de dados da Covid-19 do sul da Ásia ou do Brasil para explicar os fatores de risco. Por isso, o novo financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates reúne pesquisadores do Cidacs, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e do Shaukat Khanum Memorial Hospital and Research Center (SKMCH & RC), no Paquistão.

Daniel Prieto-Alhambra, professor de farmacologia e epidemiologia de dispositivos da Universidade de Oxford e co-presidente do OHDSI (Observational Health Data Sciences and Informatics), declara a importância da nova parceria. “É fundamental que o gerenciamento da Covid-19 seja baseado em evidências do mundo real. Ser capaz de analisar os dados desses países no sul global pela primeira vez será um grande passo em frente nas estratégias e diretrizes nacionais e regionais de saúde pública Covid-19 no Paquistão e no Brasil”, declarou Daniel.

Triangulando dados e conhecimentos em Saúde

Cada instituto possui milhares de registros de Saúde de pacientes no Brasil e no Paquistão e esses bancos de dados serão usados ​​para analisar a história natural da Covid-19 e caracterizar a doença para ajudar na tomada de decisões sobre o atendimento de pacientes hospitalizados.

A iniciativa é liderada por Sara Khalid, professora e pesquisadora sênior da Associate in Biomedical Data Science (NDORMS). “Os bancos de dados do Brasil e do Paquistão serão mapeados para OHDSI, uma iniciativa que permite que as equipes de todo o mundo para compartilhar rotineiramente dados coletados e colaborar em pesquisas reais sobre Covid-19 em diferentes grupos, comunidades e etnias. Esses são os primeiros dados que temos da América Latina e do Sul da Ásia e será um marco significativo em nossa compreensão da pandemia de Covid-19 nessas regiões. Esperamos que essa colaboração seja o início de um movimento em direção a ecossistemas de análise de saúde inspirados globalmente, mas co-projetados localmente”, afirma Sara.

O futuro das pesquisas

A integração dos bancos de dados do Brasil e do Paquistão cria o potencial para pesquisas observacionais da Covid-19 e os resultados serão compartilhados com as forças-tarefas nacionais da Covid-19 do Paquistão e do Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras instituições interessadas ao redor do mundo.

“Estamos entusiasmados com o potencial desses dados para entender o Covid-19 e desenvolver diretrizes futuras com base em evidências. Acreditamos fortemente que este estudo estabelecerá as bases dos esforços para construir ecossistemas de dados nesta região”, declarou o Dr. Haroon Hafeez, da SKMCH & RC no Paquistão.

A parceria Oxford-Brasil-Paquistão demonstra a relevância dos pesquisadores usando dados do mundo real do Sul Global para enfrentar a pandemia de COVID-19.

“No futuro, planejamos aplicar o que aprendemos neste projeto para abordar outros temas relevantes em saúde pública, como câncer e mortalidade infantil. Além disso, esta iniciativa pode representar uma nova forma de produzir conhecimento em tempo real, baseado em uma rede internacional e fortemente influenciado pelos princípios da ciência aberta”, indica Elzo Pereira Pinto Junior, Pesquisador no Cidacs/Fiocruz Bahia.

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