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Estudo aponta que idade é o principal fator de risco para a mortalidade nos EUA e América Latina

Salurbal em 15 de dezembro de 2021

Os dados são oriundos do projeto que investiga os efeitos da urbanização na mortalidade

 

Em um artigo recente publicado no periódico Science Advances, lançado pelo projeto Salurbal, que estuda como ambientes e políticas urbanas impactam a saúde dos residentes das cidades em toda a América Latina, foi constatado que a idade é o fator de risco mais importante para a mortalidade. O estudo levou em consideração todo o universo de 742 áreas metropolitanas de 100.000 residentes ou mais, em 10 países do projeto Salurbal e nos Estados Unidos, para levantar dados sobre a população e a mortalidade.

O pesquisador associado ao Cidacs/Fiocruz Bahia, Caio Castro, integrante da Plataforma de Equidade, Sustentabilidade e Saúde Urbana, explica que a análise de escala, método utilizado na pesquisa, ajuda a comparar parâmetros das cidades de diferentes tamanhos. “Em vez de utilizar proporção entre suas populações, por exemplo, se uma cidade de 150 mil habitantes é 3 vezes maior do que uma cidade de 50 mil habitantes, espera-se que diversos parâmetros socioeconômicos, de saúde ou até mesmo de violência, sejam aumentados em 3 vezes. No entanto, isso não se verifica para a imensa maioria dos parâmetros das cidades sugerindo que para uma determinada causa de morte as interações dentro de uma cidade grande podem exercer um papel mais, ou menos, protetivo para a sua população do que uma cidade pequena”, declarou.

O trabalho analisou os dados através das seguintes categorias: o balanço de todas as causas de morte, o agrupamento das seis principais causas de morte, como câncer e outras doenças, além de 41 causas detalhadas de morte. Os dados foram explorados levando em consideração as diferentes estruturas de cada cidade, comparando resultados para os EUA, América Latina e, especificamente, Brasil e México. O objetivo era obter uma generalização sobre o papel do crescimento das cidades sobre as causas de mortalidade.

Foram encontrados quatro resultados-chave dentro deste estudo. A mortalidade relacionada a “todas as causas” foi relativamente baixa em cidades pequenas dos Estados Unidos e não diverge muito de cidades de diferentes tamanhos da América Latina. Entretanto, ao observar o agrupamento por causas de morte, os resultados chamam atenção para o fato de que as mortes por lesões não intencionais, tais como overdose, acidentes de carro e queda, além de suicídio, tiveram taxas menores em cidades maiores tanto nos EUA quanto na América Latina, enquanto os homicídios prevalecem com maior incidência nas cidades grandes.

A consistência entre as regiões também pode ser observada na mortalidade causada por HIV/AIDS, além de outras ISTs, que é maior nas cidades grandes, assim como outras causas específicas de morte, tais como desnutrição, câncer de esôfago e cirrose, que são menos comuns nessas regiões.

Em contrapartida, foi descoberto que a maioria das outras causas de morte seguia um padrão diferente. Eram menos comuns nas grandes cidades dos Estados Unidos, mas não variavam muito com o tamanho das cidades na América Latina. Homicídio, por exemplo, é uma causa de morte superlinear, pois há uma alta prevalência em maiores cidades, independentemente de ser nos EUA ou na América Latina, enquanto suicídio é mais comum nas cidades pequenas dos países latino-americanos.

Os achados do artigo podem proporcionar uma discussão mais profunda acerca das potenciais razões para os padrões encontrados. Em primeiro lugar, o artigo representa um ponto inicial para realizar uma exploração mais profunda entre quais fatores são responsáveis pela diferença nos números em relação ao tamanho das cidades, ou seja, avaliar fatores de risco em cidades grandes ou diagnóstico de limitação nas cidades pequenas. Além disso, os dados fornecem evidências sobre a existência de um comportamento de dimensionamento universal dos resultados de saúde, em duas regiões muito diferentes.

Enquanto o estudo destacou que os padrões variaram de acordo com algumas causas de morte, é importante ressaltar que a ordem das causas mais ou menos comuns nas grandes cidades dos Estados Unidos e da América Latina não difere muito. E, para além disso, independentemente dessas diferenças, saber se certos tipos de causas de morte são mais comuns em cidades maiores do que em menores pode ajudar a priorizar recursos e permitir uma compreensão mais diferenciada das políticas de saúde.

O projeto Salurbal é realizado pela Universidade Drexel, com diversos parceiros ao redor do mundo, entre eles, o Cidacs/Fiocruz Bahia e Universidade Federal da Bahia (Ufba). De acordo com o pesquisador à frente da Plataforma no Cidacs, Gervásio Santos, o artigo publicado tem dupla importância: “A publicação fortalece tanto a agenda de pesquisas no âmbito da Plataforma de Estudos sobre Equidade, Sustentabilidade e Saúde Urbana, como a parceria entre a UFBA e o Cidacs”, disse.

Pesquisador(es): Gervásio Ferreira dos Santos, Roberto Andrade, Aureliano Sancho Souza Paiva, José Firmino de Sousa Filho, Poliana Rebouças.

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