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Saúde, plataformas analíticas e jornalismo de dados são temas do primeiro evento do projeto PAMEpi

Pamepi Escrito por Antônio H. C. Laranjeira  em 22 de outubro de 2021
Apresentação de Juliane Fonseca sobre a PAMEpi.

O conhecimento científico e as tecnologias da informação e comunicação aparecem cada vez mais no cotidiano principalmente com a pandemia da Covid-19. Nesse contexto, palavras como “plataformas” e “pesquisas” se tornaram comuns nos laboratórios de pesquisa, nas redações dos jornais ou nas esquinas dos bairros.

Mas como cruzar as fronteiras e transmitir informações eficazes para a vida aqui e agora? Este desafio foi o tema central das apresentações do primeiro evento do ciclo de webinários da PAMEpi (Plataforma Analítica de Modelos para Epidemiologia), do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia).

O debate abordou a visão de três palestrantes renomados para tratar da relação entre as epidemias, a gestão pública da saúde, e plataformas analíticas para epidemiologia aplicadas ao jornalismo de dados.

A solução começa nos dados

A pesquisadora associada ao Cidacs, Juliane Fonseca, matemática e pesquisadora em modelagem aplicada à epidemiologia de doenças infecciosas, apresentou o funcionamento da PAMEpi. Ela diz que governos, jornalistas e pesquisadores e cidadãos precisam ter acesso a modelos consistentes e informações confiáveis sobre epidemias.

“A plataforma não serve apenas para ler os dados, é também para fazer análises, interpretar os dados e tomar decisões conforme medidas de gestão como no caso da pandemia. Existem vários critérios matemáticos e estatísticos e recursos computacionais para obter e organizar os dados da população sobre a Covid-19. Hoje temos na PAMEpi um conjunto de tecnologias da informação que nos permite modelar e visualizar os dados de maneira dinâmica e sofisticada. A PAMEpi oferece um código aberto, via GitHub, que permite uma reprodução dessa estratégia de análise para outras doenças infecciosas”, diz Juliane.

No contexto marcado pela disseminação de variantes do Coronavírus em paralelo à vacinação, o acesso simplificado aos dados é fundamental para pesquisadores em diferentes áreas, consórcios de jornalismo e redes de jornalistas que se organizam no Brasil para divulgação de informações de interesse público com validade científica, eficazes para a gestão da saúde pública.

O problema começa no clima

Estudos indicam que as epidemias têm uma estreita e perigosa relação com a mudança climática. Foi o que demonstrou Guilherme Franco Netto, médico e vice-presidente do Programa de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, em sua apresentação sobre o FioPROSAS.

Ele sugere o uso de tecnologias da informação alinhadas com conceitos e categorias interdisciplinares para a integração e o desenvolvimento da Saúde Pública com a sustentabilidade ambiental.

Explicação de Guilherme Franco Netto sobre o FioPROSAS.

A relação entre os princípios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em alinhamento com a Fiocruz e o Ministério da Saúde, foi o tema da apresentação do debatedor. Guilherme argumentou que Saúde Pública é uma área multidisciplinar da Ciência e afirmou que ações de profissionais da área são essenciais para a sustentabilidade nos territórios, compreendendo a saúde como um direito em relação ao meio ambiente.

“É imprescindível uma estratégia adequada às complexidades do século XXI. A questão da informação é absolutamente central para trabalhar com elementos de identificação e enfrentamento de vulnerabilidades e as capacidades de adaptação, bem como a integração e a interconexão destas bases de dados, sistemas de informação em sincronia com o desenvolvimento de pesquisas, como a mudança climática e outros temas da crise ambiental no Brasil”, descreve Guilherme.

A informação e a desinformação

Mas quem intermedia os dados de saúde e as publicações dos jornais? Esse foi outro desafio apresentado pelo evento para o público geral, reafirmando o papel decisivo de cientistas para tomadas de decisão locais e nacionais em um contexto como a pandemia.

O jornalista e analista de dados, Marcelo Soares, fundador do projeto independente de jornalismo Lagom Data, destacou em sua apresentação um case de reportagens e infográficos que revelam como em diferentes momentos os governos estaduais e municipais, sobretudo das regiões de maior privação social, divulgaram dados de grande repercussão midiática nacional sobre casos, óbitos e vacinação em relação à Covid-19.

“O máximo que a gente consegue obter é ‘o melhor obtido’ em termos de acesso aos dados de saúde, mas não necessariamente ‘o melhor possível’ em termos de acurácia da informação para saúde. As informações coletadas junto às secretarias pelos consórcios de jornalismo e por mim utilizam os mesmos métodos, mas isso não permite corrigir distorções estatísticas, por exemplo. Então, de fato, há limitações nestas análises. As lutas que jornalistas e pesquisadores têm hoje são para qualificar as plataformas oficiais e superar os limites analíticos antes para depois chegar ao público em geral. As duas lutas são desafiadoras”, destaca Marcelo.

Descrição da análise dos dados da Covid-19 pela Lagom Data.

Assista e compartilhe o debate

A transmissão no canal do Cidacs no Youtube e na plataforma Zoom (para inscritos) contou com gravação e também com a participação do público e segue disponível para perguntas nos comentários do vídeo.

“Saímos deste evento com várias informações para pensar, com tecnologias para utilizar na gestão de problemas sociais e com questionamentos a fazer contra a desinformação”, destacou a mediadora, a professora de estatística da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pesquisadora associada ao Cidacs, Nivea Bispo.

O webinário é o primeiro evento de um ciclo da PAMEpi, projeto de pesquisa que integra o Grand Challenges ICODA pilot initiative, promovida pela Health Data Research UK e financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates e Fundação Minderoo.

Reveja o debate “Cruzando fronteiras da informação: como envolver a população no combate às epidemias?na íntegra aqui.

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